A todos os meus desejos, aqueles cuja voz embarga meus olhos, cuja petulância silencia minha garganta e meus lábios, a todos os meus desejos indesejados, dedico a sinfonia melancólica destes passos e caminhos percorridos. Sei que tudo que sou, todas as atitudes, dilemas, tragédias, horrores, delícias, circunscrevem uma sinfonia desejante. É quando não me conformo de ser tão vil, na vileza de todos, é quando não me conformo de ser tão triste na tristeza dos atrozes e submissos, é quando não acredito no meu potencial homicida, fratricida, suicida... que penso poder separar entre os homens a mediocridade que não se desfaz, inocência do almejar ser bom.
Não creiamos no medíocre, ele pode ser jovial e doce. Na amargura escatológica, no sombrio horror do fim de tarde, desejaria, para amenizar, ser medíocre e jovial e lúcido.
Mas sou eu, sou também Carranca, sou Moacir, e posso chorar e contorcer. Posso comungar perjúrios e futilidades e poderei ter com todos e de todos fazer apenas uma noite, bebendo e bebendo.
A dúvida de estar tentando ser alguém que não se almeja, hierarquizando sentimentos, submetendo a questionários de zero a dez, contratando pessoas com o olhar, esperando currículos de mercado.
Farto, farto, pregando o desconhecido, distante do amor.
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