sexta-feira, 7 de agosto de 2009

E Você Continua Aqui

Definitivamente a dor enquanto mola propulsora de versos e acertivas! A poesia do lazarento, do prostituido. Sentimento daquele que prostitui os maiores valores que tem, pela carência do amor. Novamente o tema da crise da vida a dois e a impossibilidade de lidar com o caldo que é duas vezes insuportável: o estar junto e o estar distante. A grande saudade/nostalgia, apesar dos sonhos díspares e das incompatibilidades.




E você continua aqui

Por que teima estar aqui?

Materializo tua voz e teu colo dentro do eu de dentro.

Você percorre meu sangue, inundando o rubor de minha face

(ainda quente em teu pescoço)

Ajuda minhas pernas bater ruas, guerras, oceanos

Cursa o gosto amargo de acordar pela manhã.

Como posso respirar você?

Me destes tudo que precisava

Para entender a fragilidade e a impotência da vida a dois.

Me destes o carinho mais insuportavelmente bom,

O ventre mais macio,

O tédio e a melancolia dos domingos Fausto Silva.

Posso ser eu tão vazio quanto o espaço que delimita nossa distância?

Quanto o tempo que separa nosso último beijo apaixonado?

(já não me lembro quando foi isso)

Acreditei até que a felicidade é a tristeza de estar só contigo,

Cheguei a demolir patrimônios que haviam sido tombados em mim.

Taquei fogo em praças, jardins, jasmins.

Vi Nero morto e grades ao meu redor.

Havia eu roubado de Prometeu seu eterno destino,

Havia sucumbido depois de tanto tempo entrincheirado.

E você continua aqui.

Quando está repousando fico mais tranqüilo,

Descanso de procurar motivos pra provar o quanto estou bem,

O quanto posso ser alegre e contente,

Alheio às tormentas

(A imagem de um perfeito idiota happy ending).

Lanço, então, nesses momentos

A imagem de um pensamento triunfante a degladiar

O cheiro doce do teu sexo,

Tua mão consoladora,

Tua feição arredia ante meus maneirismos

E questiono, sinto, choro, amaldiçôo e bendigo,

Como um louco desvairado a correr pelas ruas com teu nome tatuado na testa,

De como essa vida torta há de conduzir o leme arredio dessa embarcação

– que se chama peito –

No fluxo das torrentes e ventanias.


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