O céu estrelado recostou meus olhos tristes e minha angústia,
O negro da noite se afeiçoou à mortalha do nosso amor.
Não mais é possível reconhecer no crepúsculo do teu sorriso
As badaladas daquele coração descompassado.
A cama esfacelada não lembra mais os rugidos sensuais, a comoção.
É apenas a covardia, astuta, dançando entre nosso relicário de mágoas.
Corremos para um abraço, mas o navio está partindo sem destino, como nós.
Vejo-te entre lenços brancos e outros rostos,
Ouço teu clamor, teu sussurro perdido entre outros gritos,
Mas a âncora da vida içara e o mar e o horizonte sem fim
Entorpecem os sentidos. O cheiro de sal arrepia.
Entre enjôos e esperanças sorrio, sinto o vento em meus cabelos
E tua imagem, gravada no álbum do coração, (sem pátria, cor, identidade ou data)
Mensura os rabiscos do tempo nos ombros do Criador.
Por que não preferistes o mundo?
Mesmo assim ainda te vejo.
Em meus olhos busco a lágrima que não me comove
Por que já me comovi demais sem chorar.
Busco-te, mas não existes mais (mesmo vendo).
Teu cheiro impregna minhas roupas, na minha pele.
E pareço não querer deixar de entoar esses cânticos enlouquecidos,
Nem tratar desse vício que se satisfaz no apelo e na melancolia.
Não ousaria não sentir esse medo da solidão
Sem os braços retesados e firmes no adeus...

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