E se a vida fosse
Canção sem palavras,
Palavras sem canção. Coração.
Púlpito e pulso,
Deglutir a esmo, infinitamente pequeno, uno, Universal.
Açúcar e sal. Banal.
Recordações de festas infantis,
Dedilhados na madeira incoerente da matéria,
Porque a matéria, com sua incoerência,
Jaz, tal túmulo destampado. Desapontado.
É o amor indulgência, frio...
Corado rosto sem fôlego, correndo na multidão cansada,
Correndo.
E que será correr? Para morrer.
Suportando coriza, no sutil do descampado cinza. Batom.
Para escrever nos vidros e pintar e amamentar calafrios. Rios.
Corre a flor, a descansar no leito dos girinos. Meninos.
E contos e fadas, elefantes e pegadas cravadas. Gravatas.
Do nó frouxo desenlaço a veia ardente do pulso. Pulso.
Canção sem palavras,
Palavras sem canção.

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