sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Para Sempre é Muito Grande

Em resgate à estória amorosa que circunda essa existência, fui buscar nos confins de um baú uma carta de amor, de dor, de despedida. Daqueles momentos em que se tem uma amostra da profundidade e da complexidade da relação a dois que está próxima do desenlace físico, mas não emocional. Início de uma pesquisa acerca da difuculdade de vincular sonhos e desejos na agenda comum do casal.


Para sempre é muito grande. Eu deixo estar, ou tento. Se os meteorologistas sabem o rumo dos ventos, eu apenas olho as folhas e as flores dançando.
Olho você... e meus lábios tremem.
Quem não tem medo? Quem não tem? Desde quando brinquei de ser adulto e ainda era criança, não pude mais me esconder dos cantos escuros da vida, dos bichos do armário, dos fantasmas da alma. No pedaço de cama entre meus pais, não existe mais cama, não existem mais pais. Quando tenho medo, amor, me consolo na minha tristeza. Me consolo na dor. Ela é meu remédio para o medo. Por isso, não posso ter pretensão a nada, não posso... sou apenas uma flor dançando no vento. Apenas um sopro no pé do ouvido, um arrepio na espinha.
Cansei de muitas coisas, sabia? Cansei de conquistar, disputar grandes batalhas, cansei de ser. Agora eu preciso estar...
Vi no reflexo da janela alguém que não gostaria de ver: prudente, objetivo, sério e cansado. Dessa imagem afasto o corpo, mas ela reflete no caminho tatuado na neve, por meus pés, através do espaço e do tempo, através dos invernos e dos casacos que usei.
Ah, meu amor, como quero rejuvenescer a idéia de que estou?
Como amparar o peso da minha alma na película da água e nadar sem medo e sem pudor?
Meus questionamentos sobre a vida não são meramente bobagens e tolices. Minhas indecisões são reflexões sobre a liberdade, sobre o pleno e sobre a sombra, e eu quero ser respeitado por isso... quero abrir mão de tudo, menos de mim, porque é tudo que eu tenho.
Não preciso da hipocrisia do mundo para amar você porque o amor é tão simples, que ele se basta. Mas, se antes eu não tiver varrido o chão dentro de minha casa, assim como você da sua, seremos infelizes de encontrar nossas vassouras na calçada do mundo, seremos apenas pó e narizes dilatados.
O toque dos seus lábios são beijos de Deus...
Seu ombro é tão aconchegante que o dia sempre amanhece mais cedo quando estamos juntos.
É preciso lembrar que sempre existe a hora de acordar; despedir-se é apenas uma ilusão porque eu carregarei você pra sempre em mim e, mesmo que eu quisesse arrancá-la seria impossível, você é carne, é tecido constituído. 
Como somos cegos, a vida se encarrega de guiar os passos escuros, ela nos leva como o vento leva o dia quente e traz a chuva. 

E como somos apenas flores, dançamos.

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