sábado, 23 de abril de 2011

Lá ela

Lá ela,

vestido colorido, longo e nos joelhos, mechas de luz reluzindo alguns cachos nos balanços das músicas, pés dispostos na malemolência dos quadris previamente decididos a balançar, linda, linda ela vestida nos segredos do próprio corpo, corpo decidido nalguma das coragens todas, aquelas entre uma das dela, na noite. Uma coragem e um colorido vestido, afinal, dançantes.

Essa alguma coragem que mantém os rostos por algum colados, os pés dançantes, o coração batendo. O hálito nos passos cadenciados a rolar um tapete de flores e sons.

O corpo.
Corpo com outro corpo.
O outro corpo.
Eu corpo com o outro, dançando.
Eu e o corpo, sem verbo.
(Em nós a dançante história dos costumes e esse chão batido onde namoram os pés)

Em todo o resto estávamos conversando (eu e ela) em silêncio, envergonhados.
Haveria eu de conseguir saber de alguém dela que chamasse alguém para saber dela alguma coisa? Sei quase nada... sei pouco.
Ai...

Tenho algum gosto pelo meu estar aqui, guardo meus presentes no bolso, à espera. É por isso que me envergo redundante dos todos esses mistérios, assim, impenetráveis, guardados muito distantes, a exigir uma longa busca, caminhada para os pés, momentos de sentir nos cantos da boca o coração batendo, perder rota e direção com paciência obstinada, essas e outras coisas...

Ele, pulsante nas veias, badalando aqui no dentro, nessa coisa que investe no lembrar, lembrar, lembrar até fazer virar um sonho desprendido, nas teclas, mostrando, insinuante, como alguma espécie de amor (do que se entende por esta palavra), alguma espécie de crença e aposta no outro, algo que busca, que se desnuda com a paciência de um olhar atento pesando antigas experiências, um tanto imerso no aqui em percurso. Algo novo algo, constituído e constituinte, em movimento, indo, indo, para os lados todos nos viscos dos vestidos coloridos, dançantes.
Pedinte é aquele que pede, a insistência é seu atributo pela repetição, pedinte de água, comida, ternura, força, coragem, vestidos coloridos, desafios vencidos, pés dançantes. Ele está a pedir, a delatar sua comoção.

Não... sim... não sim, não, sim, movimento ou acúmulo de gestos? Sim, não, sim não, não, sim
Ai...     

Nenhum comentário:

Postar um comentário