quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Sobre o Amor,

E quando Ele não é, assim, só uma coisa meio solta, disperso como folhas ao vento?
Não foge como a água entre os dedos, não abdica da sua posição de Soberano. No palacete do coração ele não anda preso, nem vigiado por olhos criados; não anda a perseguir o tempo como se fosse querer tê-lo na cava dura das mãos.  
Faz tomá-lo pulsante, irrigando as veias e os músculos das palmas, nos calos.  
Faz querê-Lo como uma xácara distante, em que será abençoado com a graça dos suspiros e saudades.
Faz querê-Lo como uma jóia guardada que ninguém pode tirar do você, porque ninguém pode tirar aquilo que não  vê ou compreende.
 Quem haverá de querer, de todas as lembranças, as mais preciosas, apenas simpósios sobre a dor humana e máculas que distribuímos distraídos todos os dias?
Quem haveria de querer o que de ímpeto pulasse ao parapeito enganado, abandonado pelo medo, raivoso?

Não! Ele há de ser essa lembrança que sempre puxa um sorriso, uma emoção bonita!
Haverá de me resgatar em alguma noite e fazer dia de dia, noite de noite, agradecer.
Soberano!